segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Mais uma vez é Natal!

Queridos irmãos e irmãs,

Mais uma vez é Natal, tempo de reflexão. É festa do Menino Deus, que “sendo rico se fez pobre para nos enriquecer pela pobreza”. Filho de Deus que “derruba os poderosos de seu trono e exalta os humildes”.

O Mistério da Encarnação é tema fundamental da espiritualidade franciscana. Intui o que isto significou na experiência de Francisco de Assis e que desafios o mistério da Encarnação representa para o franciscanismo hoje, é o que me proponho a refletir.

O processo de Encarnação iniciou-se com a História da Salvação do povo de Deus e aconteceu de forma decisiva quando chegou a plenitude do tempo, o tempo pleno, urgente, Deus se encarnou, assumiu a vida humana e tudo o que lhe diz respeito: encarnou-se na fraqueza de uma virgem, na insignificância de um lugarejo e no anonimato de um povo; nem seus vizinhos perceberam... Nasceu sem pátria e no pior lugar que há para nascer! Nasceu já condenado à morte: “Herodes vai procurar o menino para matá-lo” (Mt 2,13). Como tantos meninos e meninas, nasceu condenado...

O Filho de Deus se encarnou na fraqueza, nasceu e viveu na pobreza e morreu na incerteza. A humanidade hospedou Deus e Deus assumiu a miséria e a glória humana.

São Francisco penetrou como ninguém, no insondável Mistério da Encarnação. Compreendeu que o mistério da encarnação constitui o maior evento da História. Os biógrafos são generosos em relatar a poesia e a magia de Francisco diante o Natal. No entanto, em Francisco não encontramos um discurso sobre o Mistério da Encarnação. Encontramos sim, o encanto, a emoção, o êxtase, a ternura, a mística, a celebração todas as expressões de quem penetrou no mistério sagrado. E a alma de Francisco explode em celebração.

Francisco celebra! E celebrar é mais do que saber e refletir. Celebrar é entrar na dinâmica do mistério, na sinfonia da festa. E Francisco é mestre em celebrar. Recria a cena sagrada no famoso presépio de Greccio: “Quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto no presépio, e ver com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro”(1 Cel 84). E diante do presépio, Francisco abre o coração, alegra-se, enche-se de ternura e encanto, e contempla o Deus encarnado. E seu coração não se contém diante daquela que gerou o Menino e a consagra como “esposa do Espírito Santo”. Francisco é capaz de experimentar todo o mistério da vida na rústica estrebaria e dela fazer o altar da consagração.

Nós franciscanos e franciscanas, estamos hoje inseridos numa realidade na qual, mais do que nunca, a vida está ameaçada e a face de Deus desfigurada. Deus continua se encarnando na fraqueza, nascendo e vivendo na pobreza e morrendo na incerteza sempre maior. A estrebaria de outrora é hoje o em baixo da ponte, na beira dos ribeirinhos, na beira da estrada, em cima do morro...

Deixar-se atrair pelo Mistério da Encarnação, aprender a contemplar Deus encarnado, viver a forma de vida evangélica inserida no meio do povo é tarefa missionária do seguidor (a) de Francisco de Assis. Porém, esquecer a fraqueza da virgem, a estrebaria, o anonimato do povo... é não penetrar no insondável Mistério da Encarnação.

Que a Festa da Encarnação do Filho de Deus, celebrada com verdadeiro espírito cristão, nos ajude a construir hoje, um futuro de mais justiça e paz.

Santo Natal e um Novo Ano pleno de amor e alegria perfeita!

Denize Aparecida Marum Gusmão

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

“O TEMPO ESTÁ PRÓXIMO... SIM VIREI EM BREVE.” (Ap 22, 10.20)

Caros irmãos e irmãs,

O Senhor lhes dê a paz!

Como todos os anos, preparamo-nos para acolher o Senhor que vem e mais uma vez bate à nossa porta: “Se alguém me abrir, eu virei a ele” (Ap 3,20). A fidelidade amorosa do Senhor que vem sempre ao nosso encontro é sempre a mesma, mas nos dá a liberdade de recebê-lo. Só se “abrirmos”, ele entrará em nosso coração e fará nele sua morada.

“O TEMPO ESTÁ PRÓXIMO... SIM VIREI EM BREVE.” (Ap 22, 10.20)

Essas palavras do Livro do Apocalipse garantem a nossa esperança: o Senhor veio, o Senhor virá, o Senhor vem. Esse tempo de espera será o tempo que levarmos para abrir-lhe a porta e acolhê-lo.

Nesse tempo todos os homens e mulheres, toda a obra da criação está “grávida”, aguardando o Menino que vem, trazendo a salvação a todos os povos e culturas, para que entrelaçados num só abraço clamem com toda vibração: “VEM, SENHOR JESUS”!

“Os anjos já se preparam para cantar a glória de Deus e a paz entre todos os homens amados por Deus. Maria já está pronta para chegar a Belém e em breve verá aquele que a gerou! Os pastores já estão nos campos contemplando o céu, tentando descobrir a estrela diferente.”

Sim, que a chegada de Jesus, não nos surpreenda distraídos, adormecidos ou despreparados, como se fosse a chegada de um hóspede desconhecido e indesejado. Mas que a presença do Senhor seja como um encontro festivo entre amigos, a ponto de o nosso coração sentir-se hospitaleiro e reconciliado com todos.

O Senhor que vem conceda a todos viver o Tempo do Advento na paz e na serenidade.

Fraternalmente,
Denize Aparecida Marum Gusmão

terça-feira, 16 de novembro de 2010

SANTA ISABEL - MODELO DE FRANCISCANA SECULAR

Hoje, 17 de novembro, fazemos memória de Santa Isabel da Hungria, Padroeira da OFS e modelo maior de franciscana secular.

Durante a sua curta existência, como filha deixou um grande exemplo de obediência; como esposa, foi modelo de amor e fidelidade; como mãe testemunhou abnegação e como discípula de São Francisco “nada mais desejou a não ser a Deus, nossa riqueza em plenitude e nosso único Bem”.

No momento em que somos convidados a nos voltarmos para a Ação Apostólica do carisma franciscano, voltemo-nos para esta grande mulher e procuremos ser luz para o mundo, proclamando o amor de Cristo pela humanidade, nas nossas famílias, no nosso trabalho, na nossa comunidade em fim, por onde passarmos, através do anúncio explícito da Palavra, mas principalmente através de uma vida coerente com os valores cristãos e conforme a Regra de professamos.

O mundo precisa de pessoas corajosas que façam a diferença como o fez Santa Isabel e tantos outros homens e mulheres, que como ela dedicou-se à promoção da vida, da justiça e da paz.
E, somos nós, os protagonistas do tempo presente, que precisamos assumir e levar a frente esta missão.

Não é amanhã e nem depois de amanhã. É hoje e, já com certo atraso, que devemos assumir o nosso papel de franciscanos no mundo, fazendo das nossas Fraternidades a “plataforma da nossa missão”.

Santa Isabel, roga a Deus por todos os filhos e filhos da OFS, a fim de que sejam perseverantes na vocação franciscana, assim como o fostes em sua vida.

Denize Aparecida Marum Gusmão

terça-feira, 9 de novembro de 2010

POR UMA OFS MISSIONÁRIA

Nós, franciscanos seculares, membros da Família Franciscana, que nos congrega na fé e no mesmo ideal, somos chamados e enviados a ser testemunhas. Chamados por Deus à vida, cada um de nós recebe um “carisma” um dom específico que deve se desenvolver onde nos encontramos. O Senhor nos chama a ser no mundo testemunhas do seu amor e da sua ternura; a partilhar o que somos e temos como nos adverte o tema deste ano da Campanha Missionária: Missão e Partilha. Em qualquer situação na qual nos encontramos somos enviados por Deus para sermos sinais da Sua presença.

Jesus provoca: “Ide pelo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.” (Mc 16, 15).

De 22 a 24 de outubro/2010, aconteceu o Encontro de Área Sudeste, reunindo os membros dos três Conselhos que compõe a Área Sudeste: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O Encontro foi realizado na Casa de Encontros dos frades Capuchinhos no Alto da Serra, na cidade de São Pedro/SP. Teve como tema: “OFS E JUFRA COMPROMETIDOS COM A EVANGELIZAÇÃO”.

Para auxiliar a reflexão foi exposto também o tema “Evangelizar-se para evangelizar” e o subsídio “Ação Missionária dos Franciscanos Seculares”, de Frei Almir Ribeiro Guimarães,OFM. Depois das exposições, formação de grupos, discussão e encaminhamentos em plenário, foi aprovado o Plano de Ação Missionária que deverá ser desenvolvido segundo os seguintes tópicos, respeitadas as realidades de cada Região:

1) Auto-evangelização, através de:
    - Leitura orante do Evangelho e das Fontes Franciscanas, de círculos de palestras e círculos bíblicos;
    - Testemunho discreto;

2) Famílias, através de:
    - Encontros e visitas da Fraternidade local às famílias dos irmãos e irmãs do SEI e visitas aos doentes da comunidade;
    - Entrosamento com as famílias dos irmãos e irmãs da Fraternidade local.

3) Diálogo com o mundo, através de:
    - Ações apostólicas corajosas, diante de um mundo concreto, com suas mudanças, valores e desafios, com opção preferencial pelo pobres;
    - Adesão a grupos de missionários franciscanos;
    - Gestos missionários “ad extra”.

Diante do nosso chamado a sermos missionários peçamos ao Senhor que nos guie e nos ajude a colocar em prática essas metas para continuar a sua e nossa missão no mundo.

Que São Francisco interceda por nós na busca da vivência de nossa missão.

Um abraço fraterno,
Denize Aparecida Marum Gusmão

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Fotos do Encontro de Área

Fotos do Encontro da Área Sudeste sobre OFS/JUFRA
Realizado em S. Pedro-SP, de 22 a 24 de outubro de 2010.
 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Vida Fraterna

Frei Raimundo Justiniano Oliveira Castro, OFM
(Fundamentada na Carta a um Ministro e no Evangelho Lc. 24, 13-35)
Vida fraterna é a vida de irmãos...
A nossa Regra diz: “... se empenhem na leitura do Evangelho”.... É passar do Evangelho à vida, pois não existe vida fraterna fora da vida do Evangelho, porque antes de comparar minha vida ao Evangelho, eu já estou nele, porque foi o amor de Deus que me deu a vida.
Regra não é bitola estreita, é o caminho por onde andamos; é a forma que Deus nos dá para andarmos no caminho. A regra é a medula, ela nos põe de pé; é a chave do paraíso com a qual abrimos a porta do céu.
Se vivermos a Regra teremos um pacto com Deus e ele vive conosco. Deus já existia antes do mundo; Ele é o Evangelho que se revela e ao filho, que é o próprio evangelho. A Regra é menor que o Evangelho, mas tudo o que há nela está no Evangelho. A Regra dos frades, das irmãs pobres e dos seculares começa “em nome do Senhor”, e tudo o que Francisco faz é em nome do Senhor.
Na carta a Toda Ordem, Francisco põe Deus nas alturas e ele (Francisco) embaixo. É preciso praticar sempre a vontade de Deus, estar atentos a entender e praticar essa vontade.
Na Carta a um Ministro, alguns pontos chamam a atenção para a vida em Fraternidade:
1.      “A dificuldade da alma: ...” digo-te da maneira como posso: aquelas coisas que te impedem de amar o Senhor teu Deus, bem como aqueles que te opuserem obstáculo, irmãos ou outros, tudo deves ter como graça, até mesmo se te açoitarem...” A dificuldade é a graça que Deus me dá para viver a fraternidade; não devemos querer fazer primeiro a poda no outro, mas devemos podar a nós mesmos. A conversão é um grande passo.
2.      As pessoas que te causam aborrecimentos: “E ama aqueles que te fazem estas coisas. Não queiras da parte deles outra coisa, a não ser o quanto o Senhor te conceder...
Considera isto mais que um eremitério... Devemos fazer as podas interiores, pois a vida cristã é morrer para si mesmos. Nós projetamos para o outro o que temos dentro de nós; morrer para nós mesmos é a atitude do lava pés. Orar é abrir-se  para que a oração entre  dentro de nós. Precisamos trabalhar em nós mesmos, cientes de que é Deus quem age em nós. Aquele que morre é uma semente boa para a vida da fraternidade, pois é sinal de uma semente que dá fruto. Os santos fazem jejum e S. Francisco jejuou 150 vezes e Santa Clara, 180. Hoje temos muitos jejuns, principalmente de falar. Jejum é esvaziamento de nós mesmos para Deus entrar em nós, pois Deus faz as coisas boas em nós. O Evangelho do Lava pés mostra um Jesus que se curva e que é humilde.
3.      ... e esta seja a tua vontade e nada mais...
Nós temos que viver até as últimas conseqüências com o Cristo, e passar do humano para o divino é andar no trapézio. Os santos só tinham uma coisa no pensamento: Jesus Cristo crucificado.
4.      ... e esta seja a tua orientação...
Ama os que assim contra ti procedem, não exigindo deles outra coisa senão o que o Senhor te der. Temos dentro de nós um germe divino que será desabrochado.
5.      ...quero amar esse, não desejando que ele seja cristão melhor...
O pai tem um olhar cuidadoso com o que mais sofre.
6.      ...e nisto reconhecerá se ama realmente o senhor ...
É preciso recomeçar sempre e encontrar sentido no não sentido.
7.      ...não haja irmão no mundo que tenha pecado a não poder mais que após ver os teus olhos se sinta obrigado a sair de tua presença sem obter misericórdia, se misericórdia buscar. E se não buscou a misericórdia, pergunte a ele se não quer receber misericórdia.
Deus nos dá a graça de poder fazer como ele fez e São Paulo dirá: “Que bom quando o Pai nos corrige”. A vida fraterna é adesão a uma pessoa concreta e um projeto concreto – Jesus Cristo, que é um querer ver o Pai, amar (porque o Pai é amor), humildade, perdão e exemplo, porque ele só nos deu exemplo. No tempo de Francisco a vida era monacal, vertical. Na vida fraterna, todos somos irmãos, filhos do mesmo pai. Francisco quebra a hierarquia quando diz: “somos irmãos menores”. A presença do ressuscitado dá força para Francisco e Clara. Francisco entende o crucificado pelo crucifixo de São Damião que é glorioso e descobre o projeto de vida na oração, que é tudo. Francisco não é um homem orante, é um homem feito oração. Nós precisamos ser “feitos oração”, pois ser oração é interminável. O sentido do eremitério é um “tu a tu”. A vida fraterna se dá num espaço comum em que se partilha a caminhada. São Francisco e Santa Clara e os seus primeiros conversavam e partilhavam os bens que o santíssimo Pai lhes havia concedido, que pareciam às vezes incendiarem.
Devemos agradecer:
... como fomos recebidos pelo vigário de Cristo e a tudo que invoca a presença de Cristo na terra, e isso recebemos no batismo;
...como caminharam em santidade diante do altíssimo;
...como a vida deles pelo testemunho de vida, servia de exemplo para o próximo;

Em Lc. 24, 13-35,  os discípulos de Emaús são mendicantes de sentido. Quando Jesus se põe no meio deles, rompem o silêncio e se abrem ao diálogo. Jesus faz com que aprendam a interpretar a própria vida e as experiências a partir da escritura.
Nós somos prolongamento da palavra de Deus. Quando Jesus os ensina a interpretar a vida a partir da escritura, ele acende uma lâmpada no coração deles. Então fazem uma parada e convidam Jesus para ficar; “fica conosco” é permitir que Jesus entre em nossos espaços vitais existenciais. Na sua misericórdia, Jesus entra, porque é sedento de entrar em nossos corações vazios.
Para isso acontecer precisamos enxergar que somos demais fechados em nós mesmos. Ao nos abrirmos para Jesus, a comunhão fraterna acontecerá, pois Jesus senta-se à mesa, toma o pão e o parte. Eles reconhecem Jesus ao partir o pão. A vida fraterna ou relacional é escuta atenta da Palavra. Vida fraterna só se dá se arde o nosso coração a partir da palavra. A palavra tem que ser vivida e tomar corpo na nossa pessoa humana.
Se nos deixarmos arder pela Palavra, a vida fraterna acontece. Devemos ser o verbo de Deus feito carne que habitou entre nós.
Somos mendicantes de sentido e temos que assumir isso. Os discípulos de Emaús viviam com Jesus e não acreditavam nos fatos que aconteceram em Jerusalém.
Serei motivo de graça para o outro, quando receber essa a pessoa que me impede de amar a Deus.
Se eu sou a pessoa que impede o amor, sou mendicante de sentido e não viverei a vida fraterna.
Anotações do Retiro da Fraternidade São Francisco de Assis da Vila Clementino/SP
Frei Raimundo Justiniano Oliveira Castro, OFM

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ENCONTRO DA ÁREA SUDESTE OFS/JUFRA

Para conhecimento de todas as Fraternidades, comunicamos que de 22 a 24 de outubro / 2010 os irmãos e irmãs dos Conselhos Regionais Sudeste I, II e III, estarão reunidos na Casa de Encontros (antigo Seminário Santo Antonio dos Frades Capuchinhos), na cidade de São Pedro – Alto da Serra / SP.
Esse encontro que é realizado de ano e meio a ano e meio, reúne os membros dos três Regionais da Área Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo), da OFS e JUFRA, com o objetivo de avaliar a caminhada dos três Regionais, bem como criar uma unidade de trabalho a partir das Prioridades estabelecidas no Capítulo Nacional, trocar experiências e fortalecer o convívio fraterno entre os Regionais.

Dentro da programação está previsto uma exortação com o tema: “OFS E JUFRA COMPROMETIDOS COM A EVANGELIZAÇÃO”, que será apresentada pelo Assistente Nacional e Regional, Frei Almir Ribeiro Guimarães,ofm.

Contamos com as orações para que as metas estabelecidas alcancem os frutos desejados: nossas Fraternidades.

Denize Aparecida Marum Gusmão

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Semana Franciscana, tempo de preparação para celebrar São Francisco

Semana Franciscana, tempo de preparação para celebrar São Francisco de Assis, sua vida, sua obra e sua Páscoa Gloriosa.

Para isso eu os convido, irmãos e irmãs, a lançarmos um olhar para a sua existência, desde os primeiros tempos, quando ainda jovem, trocou o sonho de acesso à nobreza, pelo casamento com a “dama pobreza”; quando deixou de cantar a juventude cavalheiresca da Assis Medieval, para fazer-se “arauto do grande Rei”. Um pouco mais e a experiência de misericórdia para com o irmão diferente, transforma o amargo em docilidade para alma e, o prepara para o encontro com o seu Senhor, em São Damião.

Nesse encontro o diálogo e o mandato: “Vai e restaura a minha Igreja”. E ele o fez, como pedreiro, reconstruindo pequenas capelas e, como apóstolo, restaurando a Igreja, templo do Senhor. Trabalho que começou a partir dele mesmo, revendo no dia a dia, sua relação com Deus, num processo contínuo de conversão.

O Senhor lhe dera irmãos e por isso sabia que deveria viver de acordo com a forma do santo Evangelho, mas foi na pequena Santa Maria dos Anjos, que entendeu a que estavam sendo chamados: como discípulos missionários, sair em missão, anunciando o Reino, promovendo a paz e defendendo o bem.

Entre tantas transformações, desafios e graças, o Senhor ainda lhe deu uma “plantinha”, da qual ele devia cuidar e fazer desabrochar e, também foi na Porciúncula, no seio da Senhora dos Anjos que ela desabrochou, para ser sua discípula, irmã, amiga e mãe, Clara de Assis.

Nas fendas das rochas do Carceri, de Fonte Colombo, de Monte Casalle, de Le Celli, de Greccio, do Alverne ... , locais dos grandes colóquios com o seu Senhor, mergulhava no mistério de Deus, do Presépio ao Calvário e, a cada momento de contemplação, a cada experiência, a pergunta, sempre de novo: “Quem és tu, Altíssimo Senhor, e quem sou eu?” E a resposta sempre vinha manifestada nos irmãos e irmãs, na natureza e em todos os seres criados, na fraternidade universal, onde ele via o rosto do Criador.

Cada lágrima derramada porque o “Amor não era amado”, era a expressão do desejo de sentir, no coração, o quanto possível, o mesmo amor daquele que tanto amou no alto da Cruz. A resposta a tão sublime desejo foi a manifestação no seu corpo daquilo que ele já trazia no coração e na alma, os Estigmas da Paixão.

No seu hino de ação de graças ao Autor da Vida, chamou todas as criaturas de irmãos e irmãs e depois de abençoar a sua querida Assis, reuniu-se com os seus, como Jesus na Derradeira Ceia e abençoou-os também, convidando-os a sempre recomeçar. Como herança, deixou para os seus filhos e filhas, presentes e futuros, a riqueza da vida em fraternidade.

Durante esta “semana santa franciscana”, vamos refletir e tornar oração cada etapa da vida do nosso Seráfico Pai, para que cheguemos à Festa da sua Páscoa, revigorados, com a “chama da vocação” ardente e cada vez mais comprometidos em tornar as nossas Fraternidades em “albergues do ressuscitado”.

A cada irmão e cada irmã, o desejo de uma santa e feliz Festa de São Francisco, pedindo ao Altíssimo e Senhor de todo Bem, que os abençoe e lhes conceda a graça da perseverança no caminho iniciado.

Com a ternura da Senhora dos Anjos eu os envolvo num grande e maternal abraço.

Denize Aparecida Marum Gusmão

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Chagas de São Francisco

    “Ó São Francisco, estigmatizado de La Verna, o mundo tem
saudades de ti como ícone de Jesus Crucificado”

 La Verna. Que o canto em seu louvor ressoe além do Monte Santo para toda a terra ouvir! Lá no rigoroso frio do topo da montanha, tão longe de todo contato humano, Francisco concluiu sua Caminhada e o Sonho tornou-se realidade gravada em sua própria carne.

 La Verna. Que o mistério que aconteceu sobre aquele bosque sagrado seja a prova do que os companheiros tanto ansiaram: que o selo que Jesus colocou na carne do pequeno Frei Francisco, foi a prova que de fato valeu o amor por eles despendido.


 La Verna. Que seja entoado o canto de que a Caminhada iniciada em São Damião é feita no interior, e o topo de sua montanha está no coração. Francisco doente e fatigado subia a íngreme altitude do Alverne para escalar os penhascos de sua própria mente e coração. Do alto do Alverne ele conseguia ver a planície da Úmbria, da Toscana...  E mais ao longe, bem longe chegava ao seu coração a vista da sua querida Assis. Francisco via tudo isso somente em seu coração e às vezes também via através dos olhos de Frei Leão.

Desde que recebeu as marcas da paixão, Leão tinha redobrado seu cuidado e atenção para com ele.
 Irmãos e irmãs elevem seus olhos para a Montanha Santa. O Alverne está em seus próprios corações. Subam até lá e se deixe tocar pelo Cristo crucificado. O toque das chagas de Jesus.
La Verna. Uma vez que o sonho está lá, você deve deixar o Alverne, pois a Caminhada continua; deixar o topo da montanha e assumir a sua cruz na planície e prosseguir, prosseguir... até a próxima Caminhada ao Cume mais alto, onde se agarrará a Jesus no paraíso.

“Cheio de amor. Cheio de amor. As chagas trazes do nosso Salvador”.
Denize Aparecida Marum Gusmão

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

PRIORIDADES ELEITAS NO CAPÍTULO ORDINÁRIO ELETIVO DA REGIÃO SUDESTE III – SP

Irmãos e irmãs,

Apresentamos as prioridades eleitas no Capítulo Regional Eletivo, realizado de 13 a 15 de agosto em São Paulo.

Acolhendo com seriedade e disponibilidade essas propostas, que elas sejam o fio condutor na caminhada de nossas Fraternidades, transformando-as em “albergues do Ressuscitado”, concretizando assim nossa tarefa evangelizadora.

Iluminados pelo Espírito do Senhor e pela intercessão de São Francisco e Santa Clara, desejo um bom trabalho na realização dessas propostas.

Meu abraço fraterno,
Denize Aparecida Marum Gusmão
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 PRIORIDADES ELEITAS NO CAPÍTULO ORDINÁRIO ELETIVO DA REGIÃO SUDESTE III – SP
Os irmãos e irmãs capitulares decidiram que as prioridades apresentadas e aprovadas no 32º Capítulo Nacional Ordinário Eletivo, ocorrido em Manaus nos dias 21 a 23 de agosto de 2009, serão assumidas por este Regional até o seu próximo Capítulo Ordinário de Avaliação, visto que ainda não foram suficientemente trabalhadas pelas Fraternidades Locais. Tais prioridades podem ser assim relacionadas:

1) Ação Missionária dos franciscanos seculares na família, nas comunidades, no encontro com os pobres e nas atividades além fronteiras, cuidando para que essas ações não levem a um mero ativismo.

2) Dar continuidade ao revigoramento nos encontros mensais e na vida em Fraternidade:
  • a) através da conscientização dos Conselhos Locais sobre a importância da preparação da reunião geral, de forma criativa, envolvendo todos os irmãos, quer professos, quer formandos.
  • b) Motivar os irmãos a assumirem os serviços da Fraternidade.
  • c) Trabalhar, efetivamente, a Pastoral dos Faltosos e o Serviço aos Enfermos e Idosos - SEI.
  • d) Incluir o Documento das Mútuas Relações OFS-JUFRA no Tempo de Formação e na Formação Permanente.
  • e) Proporcionar encontros que envolvam as famílias dos irmãos e irmãs da Fraternidade.
3) Promover a consciência ambiental através:
  •  a) de ações solidárias sobre o consumo consciente e o cuidado com a Natureza.
  • b) da participação nos Conselhos Municipais e de apoio a projetos direcionados a questões ambientais.
4) Colocado o questionamento aos membros dos Distritos, “O QUE LEVAMOS DESTE CAPÍTULO?”, foram apresentadas as seguintes conclusões:
  • a) As reuniões das fraternidades locais devem ser muito bem preparadas e dinâmicas, ornamentadas e alegres, para manter acesa a “chama da vocação”.
  • b) Continuar trabalhando o sentido de pertença, idealismo, disponibilidade e responsabilidade em assumir os cargos.
  • c) Compromisso de revelar o carisma franciscano, irradiando a alegria vivida neste Capítulo.
  • d) A presença do irmão Ministro Nacional, Antônio Benedito deu um caráter ainda mais fraterno aos trabalhos.
  • e) Noção de que nossa Profissão tem caráter definitivo e secular.
  • f) Maior engajamento dos Conselhos Locais na implementação da Assistência Espiritual em suas respectivas Fraternidades.
  • g) Nós saímos daqui com a certeza de que “Nossas Fraternidades, albergues do Ressuscitado”, são nossas maiores riquezas.

 Centro Santa Fé, 15 de agosto de 2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Dia do Assistente Espiritual da OFS

Caros Assistentes Espirituais da OFS


Neste primeiro domingo de setembro, data em que as Fraternidades comemoram o Dia do Assistente, não poderia deixar de cumprimentá-los por todo trabalho que prestam às Fraternidades Locais.

A minha saudação aos frades da Primeira Ordem e da TOR e às Irmãs Religiosas Franciscanas, é de gratidão e de súplicas ao Pai, para que sempre cumule de bênçãos e graças o trabalho Pastoral que realizam na Ordem Franciscana Secular e JUFRA, para que estas possam manter fiéis ao carisma franciscano, “sem perder o ponto de partida”.

E minhas orações às Fraternidades que ainda caminham com dificuldades pela falta de assistência. Talvez o maior desafio que teremos de enfrentar neste triênio. Peçamos ao Senhor que envie operários a essa messe.

Meu abraço fraterno,
Denize Aparecida Marum Gusmão

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Festa de S. Luiz - Rei de França - Patrono da OFS

Caros irmãos e irmãs,

Lembrando que dia 25 de agosto celebramos São Luis rei de França, padroeiro da OFS juntamente com Santa Isabel, dois santos franciscanos que deixaram muitos exemplos de vida cristã, deixo uma breve biografia, para que conhecendo suas virtudes, possamos melhor imitá-lo.

Padroeiro da OFS, Luís IX, rei da França, nasceu no dia 25 de abril de 1215, no castelo real de Poissy. Era filho de Luís VIII e de Branca de Castela, ambos piedosos e zelosos, que o cercaram de cuidados, especialmente após a morte do primogênito.

Trataram pessoalmente da sua educação e formação religiosa. Foram tão bem sucedidos que Luís IX tornou-se um dos soberanos mais benevolentes da história, um fervoroso cristão e fiel da Igreja.

Com a morte prematura do seu pai em 1226, a rainha, sua mãe, uma mulher caridosa, de grandes dotes morais, intelectuais e espirituais, tutelou o filho, que foi coroado rei Luís IX, pois ele era muito novo para dirigir uma Corte sozinho.

Tomou as rédeas do poder e manteve o filho longe de uma vida de depravação e de pecado, tão comum das cortes. Mas Luís, já nessa idade, possuía as virtudes que o levaram à santidade – a piedade e a humildade -, e que o fizeram o modelo de “rei católico”.

Em 1235, casou-se com Margarida de Provença, uma jovem princesa, que, assim como ele, cultivava grandes virtudes. O marido reinou com justiça e solidariedade. Possuía um elevado senso de piedade, incomum aos nobres e poderosos de sua época.

Tinha coração e espírito sempre voltados para as coisas de Deus, lia com freqüência a Sagrada Escritura e as obras dos santos Padres e aconselhava-as a todos os seus nobres da Corte.

Com o auxilio da rainha, fundou igrejas, conventos, hospitais, abrigos para os pobres, órfãos, velhos e doentes. O casal real teve dez filhos, todos educados como eles e por eles. E o resultado dessa firme educação cristã foram reis e rainhas de muitas cortes, que governaram com sabedoria, prudência e caridade.

Depois de ter adquirido de Balduíno II, imperador de Constantinopla, a coroa de espinhos de Cristo, que, segundo a tradição, era a mesma usada na cabeça de Jesus, ele mandou erguer uma belíssima igreja para abrigá-la numa redoma de cristal.

Trata-se da belíssima Sainte-Chapelle, que pode ser visitada em Paris.
Acometido de uma grave doença, em 1245 Luís IX quase morreu. Então, fez uma promessa: caso sobrevivesse, empreenderia uma cruzada contra os turcos muçulmanos que ocupavam a Terra Santa.

Quando recuperou a saúde, em 1248, apesar das oposições da Corte, cumpriu o que havia prometido. Preparou um grande exército e, por várias vezes, comandou as cruzadas para a Terra Santa. Mas em nenhuma delas teve êxito.
Primeiro, foi preso pelos muçulmanos, que o mantiveram no cativeiro durante seis anos. Depois, numa outra investida, quando se aproximava de Tunis, foi acometido pela peste e ali morreu, no dia 25 de agosto de 1270.

Os cruzados voltaram para a França trazendo o corpo do rei Luís IX, que já tinha fama e odor de santidade. O seu túmulo tornou-se um local de intensa peregrinação, onde vários milagres foram observados. Assim, em 1297 o papa Bonifácio VIII declarou santo Luís IX, rei da França, mantendo o culto já existente no dia de sua morte.

Ao celebrarmos a sua festa, possamos também nos tornar instrumentos de paz, exemplo de DEDICAÇÃO para com os marginalizados do nosso tempo. Que as nossas atitudes de justiça e solidariedade ajudem a tornar o mundo mais humano e mais fraterno.

Um abraço fraterno, desejando que São Luís Rei de França abençoe cada franciscano secular.

Denize Aparecida Marum Gusmão

(para saber mais sobre S. Luiz: http://ascruzadas.blogspot.com/2007/09/retrato-de-so-lus-ix.html